PGQP-RS Prêmio Press
Alison Zigulich
Buscar no site:

Entrevistas


Cláudio Pereira -
- Presidente do IRGA



Jornalismo DPress:      Como você avalia a importância do evento para a cadeia produtiva do arroz?

Cláudio Pereira - A cadeira produtiva do arroz vem experimentando nos últimos anos uma mudança substancial em suas características, principalmente após a grande crise de 2011, quando os produtores , apoiados pelos governos Estadual e Federal, tomaram medidas no sentido de buscar alternativas que permitissem o setor vencer a crise e construíssem novos caminhos, como a rotação de culturas.  Por outro lado, as indústrias, em especial a gaúcha, buscaram a ampliação do mercado e encontraram no mercado externo novas oportunidades, o que não apenas ampliou como consolidou as exportações. Os governos também fizeram sua parte, o Federal promoveu a recuperação e manutenção de preços remuneradores. Sobre o governo do Estado, entre muitas medidas, podemos citar a ampliação do crédito presumido para as indústrias, estimulando o beneficiamento do arroz gaúcho e desestimulando as importações. Destaco também a participação no projeto Brazilian Rice que qualifica o setor insustrial para enfrentar o mercado externo. Tudo isso, somado a muitas outras medidas, se traduz em novos momentos para o setor orizícola, um momento que traz consigo novos desafios, por isso a importância de debatermos os novos aspectos técnicos da lavoura do arroz, da rotação de culturas e das questões logísticas do estado. E não há momento melhor que a Fenarroz, pela sua dimensão e alcance, para realizarmos esse debate.

 

 O mercado está favorável à produção do cereal? 

Com certeza estamos passando por uma fase muito boa, com estabilidade de preços e em patamares remuneradores compatíveis com os custos médios da lavoura no estado.  Isso se deve basicamente por três fatores. O primeiro é o baixo estoque de passagem, tanto no setor público quanto no privado; o segundo é a rotação de culturas, que coloca na mão do produtor a soja, exatamente na hora que o produtor precisa apurar receitas. Ao invés de vender arroz, como sempre fez na hora da colheita, o que derrubava o mercado no primeiro semestre, o produtor pode vender a soja e segurar o arroz para vender boa parte no segundo semestre, que sempre é um momento de alta do produto. Em terceiro lugar, cito as exportações, que enxugam o excedente do mercado interno. Isso, aliado à política tributária do Governo do Estado que desestimula as importações, regula melhor a oferta do produto e tem feito com que o mercado se comporte de forma mais uniforme durante todo o ano, o que garante melhor renda a todos os produtores.

 

Como se pode avaliar a safra 2013/2014? A área, produção e produtividade estão satisfatórias? 

De acordo com o nosso último levantamento ainda no mês de maio, já colhemos em torno de 97%da área cultivada. A produtividade foi prejudicada em algumas regiões devido ao atraso no plantio ocasionado pelo excesso de chuvas e ao calor intenso fora de época. Mesmo assim, e se mantidos os dados atuais, com produtividade de 7.384 kg por hectare em uma área cultivada de 1.115.000 hectares, teremos uma produção de 8,2 milhões de toneladas. Confirmando esses dados, estaremos comemorando a segunda maior safra de arroz na historia do RS.

Mesmo com todos os problemas climáticos, colhemos a segunda maior safra de arroz da história, com uma característica importante e sem igual nos últimos tempos: sem queda de preço, muito pelo contrário, com aumento de preço em plena safra.

 

O Irga lançou recentemente uma cultivar de soja para a várzea. Como está a aceitação e o que se pode destacar do desempenho dela? 

A cultivar de soja Tec Irga 6070 RR, desenvolvida em uma parceria do Irga com a CCGL Tecnologia veio para ficar. É a primeira cultivar desenvolvida para as condições ambientais das terras planas tradicionalmente cultivadas com arroz.

Para se ter uma idéia, toda a semente disponibilizada na safra 2013/14 foi comercializada, totalizando cerca de três mil hectares semeados. Isso gera uma projeção de 40 mil hectares na safra 2014/15, o que é altamente positivo.

O Irga avalia que esta cultivar tem se sobressaído em relação à outras, com ótima adaptação e aceitação por parte dos agricultores, pois nessa primeira safra a cultivar já se mostrou capaz de alcançar uma excelente produtividade.

 

Pode-se considerar que a assinatura do convênio com Abiarroz e Apex Brasil, em Cachoeira do Sul em 2012 já tem influencia nas exportações?

 Com certeza esse foi um momento importantíssimo e decisivo para as pretensões do nosso setor em se tornar um tradicional e importante exportador, como acontece hoje. A partir dele, a indústria brasileira está se preparando de forma profissional e organizada para atingirmos novos mercados e ampliarmos nossas possibilidades de exportações. O projeto Brazilian Rice, apoiado pelo Irga, está capacitando as indústrias para o mercado externo, realizando os estudos de mercado dos nove países alvo, participando de diversas rodadas de negócios no Brasil e no exterior e promovendo diversas ações para a promoção internacional do nosso arroz. Este trabalho já apresenta alguns resultados importantes. O principal deles, na minha opinião, foi ter conseguido unir a indústria em torno deste desafio.

Só se conquista uma presença constante no mercado externo conseguindo-se dar uma continuidade nesta parceria de sucesso que envolve a Abiarroz, a ApexBrasil e o Irga. Em um segundo momento, a produção também terá de evoluir em outros desafios para dar continuidade às exportações, principalmente no que se refere a processos de certificação que garantem qualidade do produto ofertado.

 

Quais as perspectivas do setor orizícola para esta e para a próxima safra? 

De parte do Governo do Estado, nosso sentimento é de boas perspectivas, o que reflete também o sentimento generalizado do setor.  Nos últimos anos foram grandes avanços, que trouxeram uma melhor sustentabilidade econômica para os produtores e novas perspectivas para a indústria. O conjunto de políticas públicas que a partir de 2011 foram implementadas, como a disponibilidade de credito em condições favoráveis, renegociação de dívidas, obras em infraestrutura, incentivos fiscais, estímulo às exportações, rotação de culturas, assim como tantas outras, que de forma conjunta e simultânea têm trazido dias melhores para esse setor que tanto tem lutado, sofrido e ajudado a construir nosso estado e nosso país.



AFUBRA - Associação de Fumicultores do Brasil
YouTube Flickr
Twitter Facebook
S-Info S-Maq - Soluções Web